Introdução às Células
Biologistas celulares freqüentemente falam sobre “a célula” sem especificar qualquer célula em particular. Mas as células não são todas semelhantes; na verdade, elas podem ser muito diferentes. Estima-se que existam no mínimo 10 milhões – talvez 100 milhões – de espécies distintas de coisas vivas no mundo. Antes de pesquisar mais a fundo a biologia celular, devemos nos perguntar: o que as células dessas espécies têm em comum – a bactéria e a borboleta, a rosa e o golfinho? E de que maneira elas diferem?
As Células Variam Muito em Aparência e Função
Comecemos pelo tamanho. Uma célula bacteriana – digamos um Lactobacillus em um pedaço de queijo – tem poucos micrômetros, ou μm, de comprimento. Um ovo de sapo – que também é uma célula única – tem um diâmetro de cerca de 1 milímetro. Se aumentássemos a escala de modo que o Lactobacillus tivesse o tamanho de uma pessoa, o ovo de sapo teria 800 metros de altura.
As células não variam menos nas suas formas e funções. Considere a galeria de células mostradas na Figura 1-1. Uma célula nervosa típica em seu cérebro é enormemente estendida; ela envia seus sinais elétricos ao longo de uma protusão fi na, que possui o comprimento 10.000 vezes maior que a espessura, e recebe sinais de outras células através de uma massa de processos mais curtos, que brotam de seu corpo como os ramos de uma árvore. Um Paramecium em uma gota de água parada tem a forma de um submarino e está coberto por dezenas de milhares de cílios:
extensões semelhantes a pelos cujo batimento sinuoso arrasta a célula para frente, rodando-a à medida que ela se locomove. Uma célula na camada superficial de uma planta é um prisma imóvel envolvido por uma caixa rígida de celulose, com uma cobertura externa de cera à prova d’água. A bactéria Bdellovibrio é um torpedo com forma de salsicha que se move para frente por um flagelo em rotação com forma de saca-rolhas que está anexado a sua parte posterior, onde ele atua como uma hélice. Um neutrófilo ou um macrófago no corpo de um animal se movimenta pelos tecidos, mudando de forma constantemente e englobando restos celulares, microrganismos estranhos e células mortas ou que estão morrendo.
Algumas células estão cobertas apenas por uma membrana plasmática fi na; outras aumentam esta cobertura membranosa, escondendo-se em uma camada externa de muco, construindo para si próprias uma parede celular rígida, ou se envolvendo com um material duro, mineralizado, como aquele encontrado nos ossos.
As células também são muito diversas nas suas necessidades químicas e atividades. Algumas requerem oxigênio para viver; para outras, o oxigênio é letal. Algumas consomem um pouco mais do que ar, luz solar e água como matéria-prima; outras necessitam uma mistura complexa de moléculas produzidas por outras células. Algumas parecem fábricas especializadas para a produção de substâncias particulares,como os hormônios, o amido, a gordura, o látex ou os pigmentos. Outras são máquinas, como músculos, queimando combustível para realizar trabalho mecânico; ou geradores elétricos, como as células musculares modificadas na enguia elétrica.
Algumas modificações especializam as células tanto que elas perdem as suas chances de deixar qualquer descendente. Essa especialização seria desnecessária para uma espécie de célula que viveu uma vida solitária. Em um organismo multicelular, entretanto, existe uma divisão de trabalho entre as células, permitindo que algumas se tornem especializadas em um grau extremo para tarefas particulares e deixando-as dependentes das suas células companheiras para várias condições básicas. Até mesmo a necessidade mais básica de todas, aquela de passar as informações genéticas para a
próxima geração, está delegada para especialistas – o óvulo e o espermatozoide.
fonte: ALBERTS, B.; BRAY, D.; HOPKIN, K.; JOHNSON, A.; LEWIS, J.; RAFF, M.; ROBERTS, K.; WALTER, P. 2006. Fundamentos da Biologia Celular. 2ª Edição. Editora Artmed.

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