Hoje temos a tecnologia para decifrar os princípios subjacentes que governam a estrutura e a atividade da célula. Mas a biologia celular teve início sem essas ferramentas. Para apreciar o apuro enfrentado por aqueles que primeiro visualizaram as células, imagine a perplexidade de um cientista de uma era passada – digamos, Leonardo da Vinci – tentando compreender o funcionamento de um computador laptop atual moderno. Não teríamos meios de saber que a chave para compreender como essa máquina funciona se encontra na identificação e decodificação dos seus programas. Depois de examinar a caixa externa do laptop, erguer a tela e cutucar as teclas, este indivíduo culto e curioso poderá abrir o objeto para ver o que tem dentro: nenhuma engrenagem ou manivela, nenhum duende minúsculo escrevendo mensagens na tela. Em vez disso, ele se confrontaria com placas cobertas com marcas metálicas e incrustadas com pedaços retangulares pretos; um objeto pesado, semelhante a um tijolo, que solta pequenas faíscas quando cutucado com um par de pequenas pinças de metal, e vários outros pequenos pedaços e partes profundamente intrigantes. Os primeiros biologistas celulares concentraram-se em um tipo semelhante de exploração. Eles iniciaram simplesmente observando tecidos e células, rompendo-as ou fatiando-as e tentando observar atentamente dentro delas. O que eles viram era para eles, como para o sábio renascentista confrontado com o computador, profundamente confuso. Contudo, esse tipo de investigação visual foi a primeira etapa em direção à compreensão e permanece essencial no estudo da biologia celular.
Em geral, as células são muito pequenas – pequenas demais para serem vistas a olho nu. Elas não foram visíveis até o século XVII, quando o microscópio foi inventado. Durante centenas de anos depois, tudo o que era sabido sobre as células foi descoberto utilizando esse instrumento. Os microscópios ópticos, que utilizam luz visível para iluminar os espécimes, ainda são peças vitais de equipamentos em um laboratório de biologia celular.
Embora esses instrumentos agora incorporem muitas melhorias, as propriedades da própria luz colocam um limite para a nitidez de detalhes que eles podem revelar. Os microscópios eletrônicos, inventados nos anos 30, vão além desse limite pela utilização de feixes de elétrons em vez de feixes de luz como fonte de iluminação, aumentando grandemente a sua capacidade para ver os fi nos detalhes das células e até mesmo tornando algumas moléculas grandes visíveis individualmente. Um panorama dos principais tipos de microscopia utilizados para examinar células encontra-se no Painel 1-1.
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fonte: ALBERTS, B.; BRAY, D.; HOPKIN, K.; JOHNSON, A.; LEWIS, J.; RAFF, M.; ROBERTS, K.; WALTER, P. 2006. Fundamentos da Biologia Celular. 2ª Edição. Editora Artmed.

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