Apesar da extraordinária diversidade dos vegetais e animais, as pessoas reconheceram desde tempos imemoriais que esses organismos têm algo em comum, alguma coisa que os permite serem chamados de seres vivos. Com a invenção do microscópio, tornou-se claro que vegetais e animais são conjuntos de células que também podem existir como organismos independentes e que individualmente estão vivendo, crescendo, reproduzindo, convertendo energia de uma forma para outra, respondendo ao seu meio e assim por diante. Mas enquanto pareceu muito fácil reconhecer vida, era extraordinariamente difícil dizer em que sentido todos os seres vivos eram semelhantes. Os livros-texto tiveram que concordar em definir vida em termos gerais abstratos relacionados ao crescimento e à reprodução.
As descobertas da bioquímica e da biologia molecular eliminaram esse problema de uma maneira espetacular. Embora eles sejam infinitamente variáveis quando vistos de fora, todas as coisas vivas são fundamentalmente similares por dentro. Agora sabemos que as células se parecem umas com as outras em um grau estonteante de detalhes na sua química, compartilhando a mesma maquinaria para as funções mais básicas. Todas as células são compostas do mesmo tipo de moléculas que participam
nos mesmos tipos de reações químicas (discutido no Capítulo 2 do livro fundamentos da Biologia Celular do Alberts). Em todos os seres vivos, as informações genéticas – genes – estão armazenadas nas moléculas de DNA escritas no mesmo código químico, formadas com os mesmos blocos químicos de construção, interpretadas por essencialmente a mesma maquinaria química e duplicadas da mesma forma para permitir que o organismo se reproduza. Desse modo, em cada célula, as longas cadeias de polímeros de DNA são feitas do mesmo conjunto de quatro monômeros, chamados de nucleotídeos, amarrados uns aos outros em diferentes sequências, como as letras de um alfabeto, para carregar diferentes informações.
Em cada célula, as instruções no DNA são lidas, ou transcritas, em um grupo de moléculas quimicamente relacionadas feitas de RNA (Figura 1-2). As mensagens carregadas pelas moléculas de RNA são então traduzidas, agora em uma outra forma química: elas são utilizadas para direcionar a síntese de uma enorme variedade de
grandes moléculas de proteínas que dominam o comportamento da célula, servindo como suportes estruturais, catalistas químicos, motores moleculares e assim por diante. Em cada ser vivo, o mesmo grupo de 20 aminoácidos é utilizado para sintetizar proteínas. Mas os aminoácidos estão ligados em diferentes sequências, conferindo diferentes propriedades químicas nas moléculas proteicas, assim como diferentes sequências de letras significam diferentes palavras. Dessa maneira, a mesma maquinaria bioquímica básica serviu para gerar toda uma gama de seres vivos (Figura 1-3). Uma discussão mais detalhada da estrutura e da função de proteínas, RNA e DNA está presente do Capítulo 4 até o 8.
Se as células são a principal unidade da matéria viva, então, nada menos do que uma célula pode ser verdadeiramente chamada de vida. Os vírus, por exemplo, contêm alguns dos mesmos tipos de moléculas que as células, mas não têm a capacidade de se reproduzirem pelos seus próprios esforços; eles só conseguem ser copiados parasitando a maquinaria reprodutiva das células que eles invadem. Desse modo, os vírus são zumbis químicos, inertes e inativos fora da sua célula hospedeira, mas exercendo um controle maligno uma vez que conseguem entrar.
fonte: ALBERTS, B.; BRAY, D.; HOPKIN, K.; JOHNSON, A.; LEWIS, J.; RAFF, M.; ROBERTS, K.; WALTER, P. 2006. Fundamentos da Biologia Celular. 2ª Edição. Editora Artmed.

Nenhum comentário:
Postar um comentário